
No Fim de Semana em Casa dessa sexta vamos entrar num obscuro mundo de terror que mistura criaturas mitológicas e imagens que exsudam "um limo verde e sinistro de horror latente". Essas são palavras de H. P. Lovecraft, escritor norte-americano que é inspiração para tantas banda de Heavy Metal.
O estilo único do autor envolve o leitor com relatos de fantasia, suspense, criaturas míticas e ficção científica de terror - ao que se chama de "terror cósmico". O inominado, o inusitado, o incrível e o irreal surgem nas narrativas de H. P. Lovecraft.
Há muitas bandas que compuseram músicas inspiradas na obra de Lovecraft: Metallica, Black Sabbath, Black Dahlia Murder, Mercyful Fate, Cradle Of Filth, Morbid Angel são algumas delas. Fique à vontade para pesquisá-las pela web. Mas não deixe de ler os contos nas quais elas se inspiraram. Aqui, indico apenas um conto. É um bom começo para a leitura da obra do autor.
"Estaria eu cambaleando à beira de horrores cósmicos que a capacidade humana seria incapaz de suportar?", diria (como escreveu em "The Call of Cthulhu") Lovecraft.
Um conto: "The Call of Cthulhu" (1928)
Escrito na década de 1920, "The Call of Cthulhu" é um clássico do escritor que criou toda uma mitologia própria em torno do Cthulhu. O conto dá vida a uma criatura marítima - provavelmente influenciada pelo Kraken que aparece na mitologia nórdica, mas também em outros seres mitológicos - através de um manuscrito encontrado pelo personagem da narrativa. O autor do manuscrito morreu misteriosamente.
Como muitos contos de Lovecraft, o ser monstruoso é associado à criaturas antigas e cósmicas (portanto, extra-terrestres) que teriam vivido na Terra há milhares de anos, servindo de deuses aos humanos primitivos. Confira o trecho que abre o conto:
A coisa mais misericordiosa do mundo, acho eu, é a incapacidade da mente humana correlacionar tudo que ela contém. Vivemos numa plácida ilha de ignorância em meio a mares tenebrosos de infinidade, e não estávamos destinados a chegar longe. As ciências, cada uma puxando para seu próprio lado, nos causaram poucos danos até agora, mas algum dia a junção das peças do conhecimento disperso descortinará visões tão terríveis da realidade e de nossa pavorosa posição dentro dela que só nos restará enlouquecer com a revelação ou fugir da iluminação mortal para a paz e a segurança de uma nova idade das trevas.
Uma música: "The Call of Ktulu", Metallica
Não à toa a história do Cthulhu inspirou muitas bandas, obviamente não só de Heavy Metal. O Cradle Of Filth é um dos fãs do conto como revela a música "Cthulhu Dawn". O Black Dahlia Murder tem "Throne of Lunacy" e "Thy Horror Cosmic" que fazem referência ao mito do Cthulhu. Mas a dica aqui é uma música do Metallica, "The Call of Ktulu".
Inspirada na horrenda história citada na dica acima, "The Call of Ktulu" é uma faixa instrumental do disco "Ride The Lightning", que traduz incrivelmente a atmosfera sombria e pesada da história e já traz a referência no título.
Um disco (e uma lápide): "Live After Death", Iron Maiden (1985)
Na capa do disco "Live After Death", o primeiro ao vivo do Iron Maiden, há uma lápide na qual se lê: "That is not dead which can eternal lie / And with strange aeons even death may die" (Não está morto aquele que jaz eternamente / E em realidades estranhas até a morte pode morrer). Da tumba, Eddie, o mascote da banda, se levanta para a vida após a morte. O desenho, como acontece com todas as capas do Iron Maiden, foi feito por Derek Riggs.


Vale comentar, fugindo ao Iron Maiden, mas não ao tema, que a canção "The Thing That Should Not Be", do Metallica, traz os mesmos versos - "That is not dead which can eternal lie / And with strange aeons even death may die" - em sua letra.
A rima é uma citação do "Necronomicon", o livro dos mortos, fictício, criado por Lovecraft e ao qual o autor faz referências em diversos contos, especialmente naqueles que se relacionam com o mito de Cthulhu. Os versos aparecem no conto "The Nameless City" do autor. O "Necronomicon" teria sido escrito 730 d.C. pelo poeta Abdul Alhazred, um louco que passou anos sozinho num deserto e então escreveu os rituais de reanimação dos mortos e as outras magias malignas que estariam no livro.
Embora as músicas de "Live After Death" não façam nenhuma outra referência à obra de Lovecraft, o álbum fica como dica. Gravado durante a "World Slavery Tour", o disco traz 13 faixas, entre as quais "The Number of the Beast" , "2 Minutes to Midnight", "Aces High" e "The Trooper".
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